Ensine-me* pronomes! (Colocação Pronominal)

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Ensine-me* pronomes! (Colocação Pronominal)

Mensagem por Bruno em Ter Dez 22, 2015 2:47 pm




               Olá pequenos jovens escritores criadores de diálogos, essa aula é destinada àqueles que querem aprender o uso correto dos pronomes, em específico os oblíquos átonos. É uma aula bem simples e fácil, porém, vi a necessidade do auxílio para quem não entende o porquê do uso de cada um e acaba usando-os aleatoriamente, comprometendo, em muito, o sentido do texto. Muitos autores já se apropriaram dessa dificuldade do brasileiro de usar os pronomes para criar poemas memoráveis, como Oswald de Andrade, com "Me dá um cigarro", quando o correto seria "dê-me". Tentarei explicar tudo o que eu lembrar, já que não sou um linguista; não se restrinjam a essa aula, procurem saber mais, afinal, esse conteúdo é muito incipiente.

               Deixando a introdução para trás, primeiramente, entendam que pronome é um meio gramatical que serve para retomar o nome, para evitar a repetição de palavras. Entendam que existem três tipos de colocações pronominais, três formas em que o pronome relaciona-se com o verbo: Antes do verbo, Próclise, depois do verbo, Ênclise e ao meio do verbo,  Mesóclise, entretanto, essa última é desnecessária, visto que caiu em desuso pela língua portuguesa moderna, pós segunda metade do Séc XX.

               Via de regra, segundo a Gramática da Norma Culta Portuguesa, redigida pelos velhos sábios anciãos, na caverna ao cume do Himalaia, o pronome deve vir após o verbo, digo, ênclise. Ou seja, sempre deve ser "Apresento-lhe, digo-te, amo-me...". Assim, existem exceções que farão que o pronome desloque-se, e é isso que aprenderemos aqui.


Quando o verbo deixa de ser ênclise para virar próclise?

(1) Quando palavras negativas antecedem o verbo de forma imediata.
Ex: Não entregarei-lhe, vira Não lhe entregarei.
Ex²: Ninguém escondeu-se, vira Ninguém se escondeu.

(2) Quando houver as conjunções: "Quando; se; porque; que; conforme; embora; logo.
Ex: Quando trata-se de vencer vira Quando se trata de vencer
Ex²: Parava de comer o mamão conforme sentia-me saciado, esse exemplo tosco vira Parava de comer o mamão conforme me sentia saciado

(3)Quando houver advérbios. Porém, na presença de vírgulas, voltam-se à ênclise.
Ex: Aqui tem-se sossego vira Aqui se tem sossego
Ex:² Talvez mate-o vira Talvez o mate
Ex³: Aqui, trabalha-se, permanece desta forma pelo uso da vírgula.

(4)Em frases exclamativas o interrogativas.
Ex: Deus lhe abençoe!
Ex²: Deus existe?
Ex³: Chega de polemizar falando de Deus! Ainda mais quando a letra maiúscula sugere uma ideia pré-concebida  de existência, induzida na minha mente pela sociedade anterior à mim!

(5)Com verbos proparoxítonos:
Ex: Nós censurávamos-o vira Nós o censurávamos





                                  Lembre-se que as regras de exceção só vale quando as palavras antecedem de forma imediata o verbo. Se houver, por exemplo, um advérbio no início da frase, e depois lá no final houver um verbo, esse verbo continua na ênclise; Levem sempre em conta a liberdade poética. Haverão casos em que o "certo" se encaixará muito pior aos ouvidos do que o "errado". Respeite a língua, porém não vire seu escravo. Saiba quando "errar".



Att, Cadô


Postado originalmente aqui
 Créditos: Cadô
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Bruno
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